Aderir a site de compra coletiva requer cuidado






Os sites de compras coletivas caíram no gosto do brasileiro. Pesquisa do Ibope mostra que metade dos internautas brasileiros se inscreveu nestes canais, sendo que 42% efetivaram alguma compra. Em média o internauta gasta R$ 100 por mês com compras on-line. O comércio eletrônico é responsável por um faturamento de R$ 20 bilhões por ano e cresce 40% ao ano.

De olho neste mercado, empresas dos mais diversos setores e tamanhos estão colocando seus produtos e serviços nessas vitrines. Os descontos, que ficam em média em 50%, são os principais atrativos para o consumidor. As companhias, por sua vez, querem pegar carona e gerar experimentação da sua marca para o maior número de pessoas. A união dessas duas frentes tende a ser um bom negócio, mas os empresários, principalmente os pequenos, devem ficar atentos para evitar que a propaganda tenha efeito contrário.

"Se o comerciante ou prestador de serviços não se prepara e não consegue atender ao cliente, isso pode ter um impacto bastante negativo para sua empresa, especialmente porque esses sites têm uma dinâmica muito específica e em poucas horas centenas de cupons podem ser vendidos", destaca o professor de marketing digital da pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing, Rafael Lamardo. "Os clientes não podem sair frustrados por falhas da companhia", complementa.

Compradores da Web Viagens que o digam. A empresa participou, em apenas um fim de semana, de três promoções com pacotes internacionais no Groupon. A agência, que tinha uma estrutura pequena de funcionários, não esperava o sucesso da promoção, que em apenas uma delas vendeu cerca de 2.000 cupons, como conta uma funcionária da companhia.

Sem estrutura suficiente para atender à demanda, as queixas foram inevitáveis assim como o cancelamento de viagens. A empresa agora amarga a imagem negativa que passou aos potenciais clientes e tenta reverter o problema. No entanto, como não esperava tamanha procura, tem dificuldades em agendar as viagens.

"É importante que a empresa, ao aderir a esse tipo de ação, contrate mais mão de obra e se prepare para garantir a qualidade do que está prometendo", diz o especialista em solução para comércio eletrônico, Eduardo Alberto. "Do contrário, o cliente não voltará e o objetivo não será alcançado."

Para o professor Lamardo, os próprios sites de compra coletiva têm responsabilidade de qualificar seus clientes. Neste sentido, o Groupon diz que "possui rígidos padrões de qualidade e um departamento para certificar se o estabelecimento e o produto ou serviço oferecido estão de acordo com os padrões de qualidade do Groupon e se o parceiro tem a capacidade de atendimento necessária". E afirma que no caso da oferta da Web Viagens é uma exceção, porque "superou em muito a expectativa e que está apoiando o parceiro para ajudá-lo a organizar e ampliar o atendimento a fim de solucionar a questão".

RECLAMAÇÕES -O caso da Web Viagens não é único. O Procon de Santo André, por exemplo, registra crescimento no número de atendimentos, totalizando cerca de 20 ocorrências em setembro. O descumprimento das ofertas anunciadas nos sites por parte das empresas é a principal queixa.

A diretora do órgão, Ana Paula Satcheki, explica que em caso de descumprimento, o cliente deve primeiro procurar o site e a empresa anunciante da oferta para resolver o problema. Caso não haja solução, deve recorrer aos órgãos de defesa do consumidor. "Podemos resumir tudo isso em falta de qualidade. Não é porque os preços são mais baixos que os praticados no mercado que os consumidores devem aceitar qualquer coisa", enfatiza Ana Paula.

Fonte: dgabc.com.br