Nova oferta dos sites de compra coletiva: curso universitário






O mercado de compras coletivas avança no Brasil como um foguete. Só em 2011, espera-se que brasileiros gastem 1 bilhão de reais em cupons – senhas que garantem descontos em produtos e serviços variados, como ingressos de teatros, jantares, viagens e sessões de massagem. Segundo levantamento da WebShoppers, com o apoio da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, em março, já existiam 1.200 sites desse tipo em operação no país. Estima-se que, em quatro meses, esse número tenha saltado para 2.000.

As apostas são tantas que empreendedores já investem em nichos bem específicos. É o caso de Luis Romel, Alan Faria e Marcelo Ferreira, fundadores do Clube Educação, “site de compras coletivas de segunda geração”, segundo os próprios, que oferece descontos em cursos à distância (em todo o país) e de extensão ou graduação em universidades e instituições de ensino de quatro cidades: Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Por ora, os cursos de graduação são oferecidos apenas na capital baiana, nas faculdades Tomaz de Aquino, Hélio Rocha e Feira de Santana (que obtiveram conceitos 2, 3 e 2, respectivamente, em uma escala que vai de 1 a 5 no Índice Geral de Cursos da Instituição de 2009, do Ministério da Educação).

Criado há apenas três meses, o serviço oferece descontos nas mensalidades de diversos cursos, do início das aulas até a conclusão. Para tanto, é necessário que o candidato tenha sido aprovado nos exames de admissão (vestibular). Caso o interessado não seja aprovado no processo seletivo, seu dinheiro é devolvido.

Na prática, o processo para participar de uma oferta é diferente do modelo vigente em gigantes do setor, como o Groupon ou Peixe Urbano: para que a transação se concretize, não há a necessidade de reunir um grande número de interessados no serviço – basta um. Em tese, todos saem ganhando ao final da operação: os consumidores finais – futuros universitários -, o site, que leva o seu quinhão, e a instituição de ensino, que angaria novos alunos.

Para entender a dinâmica do serviço, o site de VEJA conversou com Luis Romel, gerente de marketing do site. O executivo revela que o projeto já recebeu adesão de 18.000 pessoas, com a expectativa de alcançar 500.000 usuários até o final do ano. “Para atraí-los, vamos anunciar novas parcerias nas regiões Sul, Centro-Oeste e Norte do país”, antecipa. Confira a entrevista a seguir:

Por que investir no setor de educação? Eu e outros dois sócios majoritários do projeto (Alan Faria e Marcelo Ferreira) já tínhamos experiência no setor educacional e encontramos nos sites de compras coletivas uma grande oportunidade de negócio. Outro fator que contribuiu para que o projeto fosse criado é a demanda nacional por educação.

A expectativa é que apareçam mais promoções para cursos preparatórios e de curta duração? Esperamos que, nos próximos meses, aconteça um fluxo maior de ofertas envolvendo cursos de graduação, pós-graduação e tecnológicos (de duração dois anos). Mas é claro que há um movimento de ofertas de cursos de idioma ou de extensão.

Como é feita a divisão do lucro do projeto? Diferente dos sites de compras coletivas, o cadastrado no Clube Educação deve arcar com uma taxa para aderir à oferta, que varia de 40 a 50 reais. O pagamento é o passaporte para obter um comprovante e usá-lo como desconto em universidades. Não dividimos lucros com outras instituições.

A dinâmica do Clube Educação não envolve mobilização na rede, ou seja, um grande número de interessados no produto ou serviço. Mesmo assim, você considera o serviço como um site de compras coletivas? O Clube Educação pode ser definido como um site de compras coletivas de segunda geração. O que o diferencia de outras propostas é a estratégia destinada a um único setor (educação) e com descontos de longo prazo. O modelo tradicional (casos de Groupon e Peixe Urbano) apresenta descontos agressivos para angariar novos potenciais consumidores e, consequentemente, fidelizá-los. Não é nosso objetivo. Nós somos apenas um intermediário. Uma vez que o usuário participa do Clube Educação e faz parte de uma promoção de um curso, seu contato será único e exclusivamente com a faculdade.

Com um mercado cada vez mais saturado, qual será a tendência do mercado de compras coletivas on-line para os próximos anos? A verticalização e criação de serviços especializados ou segmentados são inevitáveis. É uma alternativa que merece ser realmente discutida. Em tão pouco tempo, se percebe que o mercado de compras coletivas já precisa se reinventar.

 

Fonte: veja.abril.com.br/blog/vida-em-rede