Mercado de compras coletivas vive fase de insegurança nos EUA






Mesmo com financiamento abudante de fundos de investimento, o mercado de compras coletivas começa a dar sinais de insegurança, segundo o The Wall Street Journal. Cerca de um terço dos sites de descontos nos Estados Unidos – 170, de um total de 530 – foram fechados ou adquiridos neste ano, de acordo com o Yipit.com, site agregador que acompanha o setor. O cofundador de uma dessas empresas, a Salesscoop, comprada pela BuyWithMe, David  Ambrose, analisa que o mercado de compras coletivas se tornou uma “queda-de-braço”. Para ele, os concorrentes “gastam dinheiro para atrair assinantes e contratar centenas de empregados dificultando outros sites de atingirem esses cadastros”.

No centro das discussões está a economia das ofertas diárias. À primeira vista, para um site de compras coletivas funcionar, são necessários e-mails marketing oferecendo o desconto, um website e consumidores. Com o crescimento da indústria e da concorrência, entretanto, os custos se elevaram. O Groupon, por exemplo, líder de mercado, que anunciou a abertura de seu capital em junho, gastou cerca de US$ 7,99 para reter cada um de seus clientes no primeiro semestre do ano passado. No segundo trimestre deste ano, este valor triplicou para US$ 23,46. No total, o Groupon gastou US$ 378,7 milhões em iniciativas de marketing no primeiro semestre, na comparação com os US$ 35,5 milhões desembolsados no mesmo período do ano passado. Muitos sites menores não têm chances para competir com investimentos tão altos.

Ao mesmo tempo, os sites têm contratado mais funcionários para equipe de vendas para oferecer cupons de negócios locais. O Groupon tem 990 funcionários na América do Norte, 201 a mais que um ano antes, segundo os documentos na Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos. O LivingSocial, principal concorrente, aumentou em 191 seu departamento de vendas e hoje tem 700 pessoas trabalhando nessa atividade.

Ambrose explica que não conseguiu levantar capital suficiente para acompanhar a subida de preços para sustentar o negócio. Investidores chegaram a oferecer US$ 10 milhões pela sua empresa em 2009, que acabou recebendo, de fato, apenas US$ 1,2 milhão em investimentos. Na primeira metade do ano passado, o executivo investiu US$ 200 mil em marketing e descobriu que os consumidores não estavam comprando seus cupons, tampouco se fidelizando ao serviço. Por fim, quando vendido, o negócio tinha 50 mil assinantes.

Até grandes empresas do mercado de tecnologia tentaram lançar um serviço do tipo, mas resolveram dar um passo atrás e retirá-lo do mercado. O Facebook anunciou sua seção de cupons em abril, com 11 parceiros de negócio. No mês passado, a rede social divulgou que estava descontinuando a operação, para focar em experiências sociais.

Este conjunto de fatores gera uma insegurança do mercado, e a tendência, como tem feito o Groupon e o LivingSocial, é investir em ofertas por localização. O CEO da Yelp, empresa americana do ramo que tem sentido este impacto e anunciou o corte pela metade de sua força de vendas, conclui apenas que isso é sinal de que o “mercado está passando por grandes desafios”.

Fonte TI Inside